sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Sobre a homosexualidade (via Facebook)








Em conversas pelo Facebook com algumas pessoas que comentaram meu status, surgiu este texto. Fiz um apanhado dos meus posts no assunto em questao e coloquei aqui. Resolvi deixar o texto sem os nomes das pessoas com quem falo para nao expor ninguém, a não ser eu mesmo. O texto pode parecer meio desconexo, mas resolvi deixar dessa forma para manter a fidelidade do exposto.

É exatamente esta a questão. Evidenciar a "hipocrisia evangélica" atual. Curiosamente, muito se mata em nome do "evangelho", haja visto a própria guerra iraquiana, ou até mesmo outras ações "políticas" patrocinadas por evangélicos.

No entanto, em relação à sexualidade, o protestantismo se vê absolutamente taxativo e nesse sentido, evidencia toda a hipocrisia da que falo. "Algumas coisas são claras" ? Mas o que está por trás dessa clareza? É claro que vc deve saber que não temos acesso ao texto de fato, mas sempre o interpretamos de acordo com nossas vivencias, fraquezas, etc. Apenas uma interpretação fundamentalista da Bíblia possibilita uma leitura simplista que não está disposta a dialogar com o seu tempo. Como diria Rubem Alves, o problema do fundamentalismo não é "o que se fala", mas sim "o como se fala", ao falar "do ponto de vista da verdade", o fundamentalista encerra toda possibilidade de diálogo, afinal, se já se está com a verdade do seu lado, pra que o debate? A tarefa será simplesmente a de tentar trazer o outro para o lado da verdade. A mesma tentação do jardim se evidencia novamente.

A questão homossexual é algo que merece um enfoque não-simplista. Afinal, se a bíblia não é um livro normativo neste sentido, haja vista que muito pouco se fala sobre sexo no texto bíblico, pq então esta "sina" com a questão? De onde veio esta sina cristã para com a questão da homossexualidade, se nem entre o judaísmo, nem mesmo nos textos do NT vemos este tipo de coisa? Talvez - e aqui tendo a acreditar que sim - a influencia tenha vindo de fora, e concordo com vários que dizem que esta influencia teria vindo do estoicismo e do gnosticismo que como sabemos, muito entusiasmados com Platão, viam o corpo como algo desprezível em relação a alma. Talvez a influencia nos primeiros séculos do cristianismo tenha dado "o tom" da completa negação sexual, e principalmente na questão homossexual.

As coisas "claras" nas escrituras talvez não seja assim tão claras, igual as que vc mesmo citou como "não pode matar"; no próprio texto bíblico vemos que isto não é tão claro, a própria inquisição "matou" muito em nome de Deus, "Deus" mandou matar muitos "infiéis" para que o povo não se corrompesse em meio a outras tribos. Se a coisa fosse tão simples assim, talvez o texto bíblico teria que ser reescrito. O que quero ressaltar, é que o "espírito" vale mais que a "letra", e talvez a "liberdade" do espírito que sopra onde quer, seja o que mais incomoda a grande maioria que prefere lidar com as questões de forma simples do que lidar com a liberdade.

A proposta não é convencer ninguém de nada. Coloco aqui coisas sobre as quais penso, idéias que giram em minha cabeça. O fato de ter pensado na questão do homossexualismo não quer dizer que quero colocar algo na cabeça de alguém. Em hora nenhuma coloco minhas posições como "certezas". Apenas tento argumentar para embasar aquilo que estou pensando.

Se fosse pra convencer alguém de alguma coisa, o último lugar que iria fazer isso seria pelo facebook. Iria pra algum púlpito por aí, diria um discurso eloquente, comoveria muitos com pura retórica e pronto. Não é uma questão de convencer ninguém de nada. É pensar sobre as coisas. Pode rever todos os posts, e se achar algo que ao menos pareça com tentativa de colocar algo na cabeça das pessoas a força, me mostre. Tenho certeza que não encontrará nada neste sentido. A questão nao se coloca nesse nível que vc colocou. é uma tentativa de (re)pensar as coisas.

Só isso. Pensar dar trabalho, e se a boca fala do que tá cheio o coração, vários posts vão parecer repetidos, várias incursões serão feitas, vários textos serão colocados, lidos, relidos para tentarmos nos aproximar de alguma posição que seja defensável e embasada. Não como algo "vindo de fora", mas como algo que nasceu de dentro, fruto da reflexão, fruto do diálogo. Esta é a intenção.

Pena encontrar poucas pessoas dispostas a pensar honestamente sobre o tema, ou, no meio evangélico, sobre praticamente qualquer tema. Se contenta-se com muito pouco, e por isso acabam a maioria ficando como folhas secas levadas por qualquer vento.

Qualquer exame tosco da realidade evangélica evidencia isso que digo aqui, no entanto, nem essa avaliação a grande parte quer fazer. Resta ficar sozinho, talvez na cia de alguns poucos nesta empreitada.

Existem vários tipos de preconceitos. Agora, o fato de me ater a este específico não evidencia que ele seja "melhor" ou "mais importante" que outros. Sei que há muita discriminação com relação aos mendigos, e todos outros que não tem "parte na terra". A questão das prostitutas acaba caindo na mesma questão que é mais ampla que é a questão do "cristão e a sexualidade", esta grande "ferida narcísica" no cristianismo que até hoje se trata cheio de melindros.

Realmente a questão homossexual está em voga, e não só aqui, não sei se sabe, mas na alemanha vários bispos da igreja católica se reuinram pra conversar com o papa sobre o assunto na visita que ele fez recentemente lá. É uma questão que tem ganhado corpo, e nós enquanto cristãos, protestantes, não podemos simplesmente usar o discurso esteriotipado que afirma que "deus ama o pecador, mas não ama o pecado" quando na realidade evidenciamos o contrário.

Penso sim que TODOS devem ser amados como são, e como seus "estilos de vida' são. Isso estaria para além das discriminações, e isso em qualquer nível social, profissional, etc.

Todo filósofo que se preze precisa pensar a partir da realidade em que vive.

Como diria Feuerbach, sou fruto do meu tempo, penso as coisas do meu tempo, e se vivo num tempo onde a questão homossexual está sendo debatida, eu enquanto filósofo, tenho que pensar nesta situação. E eu enquanto filósofo e protestante preciso pensar nestas coisas. Claro, preciso pensar tb em outras coisas. Com certeza, as prostitutas (que agora já é uma profissão regulamentada) tb sofrem discrimianções, os mendigos também (embora geralmente o discurso capitalista acaba falando que eles estão assim pq lhes faltou animo, ou então por qualquer empenho na profissão).

Estes outros casos tb precisam de investigação e acho super válido se começassem a pensar nisso também.

A questão homossexual é um dos temas que precisam ser seriamente debatidos no meio cristão, e isto deve ser feito com urgencia. Vários encontros já tem sido realizados para dialogar esta causa, no entanto, na prática, a questão ainda está longe da proposta do amor ao próximo.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Sobre algumas relações de trabalho






Prezados (as)
Como a idéia do email é propor uma reflexão, acho interessantíssimo que reflitamos seriamente sobre o assunto tratado. Deixo aqui minha contribuição.

Com certeza, sei que as questões solicitadas no abaixo assinado receberão toda a atenção por parte da supervisão e sei que com certeza a supervisão fará o melhor que pode para sanar esta demanda que é extremamente antiga.

Gostaria de salientar que a melhora do maquinário não é algo a ser feito "para os atendentes" ou "para as meninas da triagem", mas sim algo que zelaria pela proposta global da prefeitura que é "oferecer um atendimento de qualidade".

Ao melhorar o maquinário em nada isso remete a alguma melhoria direta na vida do atendente ou da triagem. Ajuda na execução de seu trabalho, mas o que realmente precisa ser mudado não o é, isto é, as condições de trabalho para a boa execução deste.

Concordo quando fala dos relacionamentos interpessoais, que eles são importantes e devem mesmo ser incentivado por parte da supervisão e da gerência.

Mas como medir isso? Será que há algum parâmetro para sabermos se todos merecem o mesmo tipo de tratamento?
Será que há algum "incentivo" na boa convivência entre os funcionários da gerencia?
Que é bom, realmente o é, no entanto sempre se esbarram em abismos práticos que vão desde o descumprimento de coisas acordadas em reuniões anteriores, até posturas que em nenhuma empresa privada seriam aceitas.

Concordo também que algumas práticas listadas cooperam para um mal atendimento no setor, no entanto, antes de pensarmos de forma genérica sobre o assunto, acho que seria interessante perguntarmos o "porque" desse tipo de atitude, e nisto, se fossemos fazer uma análise mais pormenorizada, acabaríamos por chegar na questão salarial e no problema da identificação do trabalhador com seu trabalho.

É bem sabido de todos que, em mundo de uma dinâmica capitalista, o que incentiva o trabalhador é o salário que ele recebe. De fato, colocando a coisa desta forma há uma boa justificativa para entendermos o porque do atendimento ruim. Claro que se ficássemos apenas nesse nível estaria cometendo o mesmo erro de colocar a coisa de forma simplista.

Penso que a não-identificação do trabalhador com seu trabalho gera a indiferença quanto ao caminhar das coisas. Claro que em um trabalho como o atendimento, que a meu ver, várias vezes poderia ser feito por qualquer pessoa, a questão da identificação raras vezes se coloca. O trabalho a ser executado passa a ser algo completamente mecânico, onde a exigência de "pensamento" tende a zero. Uma vez que é assim, o reino da indiferença tem mecanismos para se perpetuar.


A meu ver, algumas destas propostas implicam mais em uma tentativa de limitação da liberdade do que propriamente o pensar no operador.

Em toda a empresa apenas os atendentes trabalham com tamanha ausência de liberdade quanto às suas práticas. Em nenhum outro setor há um "guichê" que precisa saber tudo que é feito, como uma espécie de "deus opressor" que exige atenção exclusiva e nada pode fugir do seu controle. Se este guichê se coloca como "limitador da liberdade", o atendente tentará usar de todos os subterfúgios para que a sua liberdade se sobressaia enquanto algo que o define. O homem por definição deve ser livre. Mas se o dever-ser do homem é limitado pelo sistema, claro que o homem quererá dar vazão a liberdade que, como sabemos, não pode ser reprimida pra sempre.

A proposta proibitiva de acesso às redes sociais, ou qualquer outro tipo de "assunto que não tenha vinculação direta com o trabalho" (para citarmos a lei) parece mais uma atitude no sentido de controle para gerar alienação do funcionário do que propriamente uma preocupação com o usuário. Na era da informação sabemos que uma pessoa bem informada sempre se constitui um "perigo". Afinal, é muito mais fácil dominar aos que simplesmente se colocam como massa de manobra ao invés de lidar com pessoas que pensam a sua real situação diante das novas diretrizes. Ao proibir o uso da internet para fins não trabalhísticos, apenas corrobora a não-identificação entre o trabalhador e seu trabalho que aludimos mais acima. Não penso que limitar a liberdade seja o passo para quem quer "comprometimento" com o trabalho, mas sim um passo na direção da alienação que veríamos, acaba prejudicando mais ainda o trabalho.

Acredito que as pessoas sempre são mais importantes que as máquinas, e também penso que uma atitude melhor por parte dos atendentes e triagistas realmente melhoraria em muito o atendimento. No entanto, esta responsabilidade não pode cair sobre os atendentes e o povo da triagem. Sobre nós não pode cair a idéia de que "se mudarmos nossas atitudes as coisas serão melhores", porque sabemos que não é assim. Há algo que foge ao domínio dos atendentes e da triagem.

Querer responsabilizar a classe que menos ganha dentro da empresa por uma falha que é institucional é no mínimo descabida.



É de conhecimento de todos que um bom salário, um bom local de trabalho, boas condições físicas para desempenho de suas funções estimulam o funcionário a fazer um bom trabalho. Agora, como já demonstrado anteriormente em outras reuniões, se recebemos um valor de R$ 6,45 por hora, e nesta hora atendemos em média 5 pessoas, quer dizer que recebemos menos de 2 reais por atendimento, ou seja, alguns meros centavos por minuto gasto com o operador. Assim como não se pode esperar muita coisa de um celular de R$ 59,90, não se pode esperar um atendimento qualificado por "centavos-por-minuto". Trabalhamos de acordo com o salário.

Embora se queira fazer pensar por parte da direção de qualquer empresa, a questão é sempre colocada de forma inversa.

Fazer um trabalho para o qual não sou correspondido é mitigar a minha condição de humano.

Pensa a que ponto chegamos. O trabalhador já não se vê refletido no seu trabalho, este já aprece como algo exterior a ele, além disso, lhe pagam um salário muito aquém do que deveria receber ( a contar pela suposta responsabilidade que recai sobre os ombros dos atendentes e triagistas) por suas responsabilidades, e quando solicita melhorias a questão recai novamente sobre este mesmo atendente e triagista que tenta fazer um trabalho com todas estas precariedades? Isto me parece um contrassenso que deve ser evitado.

Penso que não há formas melhor de estimular o funcionário que dando a ele condições e pagamento digno para exercer sua função.

O final do email muito me preocupou também. Esta dinamica evidenciada nesta empresa de que "se não estiver satisfeito, saia" apenas mostra o caráter "maligno" que atingiu esta instituição. Colocar a coisa desta forma é dizer com todas as letras que o funcionário não é importante, que o trabalho realizado por ele pode ser feito por qualquer um, que ele não passa de mais uma peça para o mau-funcionamento da máquina, e o pior, mesmo sendo considerado desta forma, o atendente ou triagista ainda deve fazer um bom serviço. Que tipo de bom serviço pode sair de uma dinâmica desse tipo?

Onde não há valorização do funcionário (e isso em todos os âmbitos) não tem como exigir uma "postura de um ser-valorizado".

Chegamos ao incrível paradoxo de mostrar que a própria estrutura que condena a prática é a responsável pela prática, e com isso, ela perde todo o direito de exigir uma postura diferente. A "qualidade e dedicação" exigida se vê inexequível a não ser que estejamos dispostos a uma desumanização maior do que a que vivemos.

Em relação ao item 6, particularmente não tenho problemas com ele. Penso que chegar no horário é uma questão de educação e isso não passa pelo tema exposto aqui.

A indiferença chega a tal ponto por estas bandas que provavelmente a maioria das pessoas nem responderão ao email, mas ao mesmo tempo comentarão entre si e continuarão fazendo as coisas que faziam. Talvez estejamos reproduzindo no micro a mesma estrutura do macro. Basta olharmos para a política brasileira para termos um exemplo do que falo aqui.

O padecimento de uma pouca memória para as coisas ajuda muito nestas horas. Afinal, é muito fácil esquecer o combinado em outras reuniões. Tanto que vemos que nas reuniões, tudo funciona, mas ao sair delas, é como se nunca tivessem acontecido. Questões banais como "horários de lanche de 15 minutos" são facilmente esquecidos e a coisa volta a ficar da mesma forma que antes da reunião. Ao entrarmos na reunião o "dever-ser" impera, ao sairmos o que "é" se mantém. E ficamos como quem oscila entre as duas posições. Se aderimos ao que "é" vem sobre nós a culpa de não estarmos fazendo o combinado, se aderimos ao "dever-ser" não somos valorizados pelo trabalho prestado.

Sobre um ser tão fragilizado não pode recair culpabilidade.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

I had a dream







Hoje sonhei com você.

Foi um bom sonho, voltávamos a nos ver depois de um longo tempo. Longo pra mim talvez, nem tanto pra você.
No sonho voltávamos a agir como crianças, envoltos em conversas inúteis, mas por isso mesmo carregadas do essencial de cada um de nós.
No sonho apareceu um "problema de adulto" que assolava nossos momentos infantis de descoberta, confiança, reciprocidade.
Mas o problema logo foi embora e continuamos nossa conversa inútil.

Há duas formas de vermos os sonhos. "a la Homero" e "a la Freud".

Em Homero os sonhos são entendidos como preságio dos deuses. Os sonhos mostram que uma realidade metafísica quer se comunicar conosco para nos alertar, admoestar, dar dicas do que fazer, montar estratégias em caso de batalha, enfim, o sonho é um bom ou mau preságio de algo que virá. É o ponto de contato com o futuro ainda inexistente para nós, mas já de alguma forma "forjado" num plano eterno. Vemos isso na Ilíada, na Odisséia... Homens sendo avisados pelos deuses, e estes o fazendo através do sonhos.

Sonhar podia ser extremamente enriquecedor ou perturbador dependendo do sonho e suas implicações. Às vezes só os mais sábios eram capazes de interpretar a "mensagem dos deuses". Vemos esta temática aparecendo várias vezes no texto bíblico também, isto não é um privilégio dos gregos, o que mostra um aspecto interessante dessa forma de ver o sonhos. E é importante ressaltar que esta visão perdurou durante vários séculos e só mesmo com Freud que os sonhos foram "desmistificados".

Outra forma de vermos os sonhos é "a la Freud". Para ele, os sonhos são manifestações de desejos inconscientes que "escapam", durante a noite, das barreiras forjadas pelo ego e pelo superego e vêem à tona enquanto dormimos.
Estes desejos são, por definição, amorais. Não há "pudor" no inconsciente. Por isso que as vezes sonhamos com coisas tão estranhas. No sonho, deste ponto de vista, o que está em jogo não é uma realidade metafísica tentando nos falar alguma coisa, mas existe apenas nós mesmos tentando nos dizer alguma coisa.
Para Freud, assim como um carro é movido pela gasolina, o homem é movido pelo desejo. Somos seres desejantes, e é isto que nos constitui enquanto seres humanos.

O que realmente somos, onde realmente somos não está nos nossos domínios. Está escondido em nossas profundezas e talvez por isso não nos conhecemos várias vezes.
Os sonhos nos mostrariam esta dimensão nossa que desconhecemos, eles manifestariam os nossos desejos mais escondidos.

Se o sonho que tive hoje foi uma mensagem dos deuses ou manifestação de um desejo inconsciente de estar contigo não tem como dizer. Embora acredite mais "a la Freud", quem sou eu para negar a possibilidade metafísica?

Sei que quando acordei não gostaria de ter acordado. Estava tão boa a sua companhia em meus sonhos. Estava tão bom reviver com você tão bons momentos.

Voltar ao passado e novamente ter momentos felizes ao seu lado me fez muito bem.

sábado, 10 de setembro de 2011

Resposta à Bara

Alguns textos surgem de reflexões a sós, outros de conversas entre amigos, este é fruto do segundo tipo.

Realmente a lideranca eclesial hoje passa por maus momentos em sua grande maioria.

Claro que como todo lugar, há os bons lideres e os maus líderes.
Infelizmente, tenho que concordar com você, e afirmar que os maus líderes realmente afloram a cada dia.

Práticas irrefletidas, falas levianas, e tudo isso ainda supostamente ancorados na "palavra de deus".

Realmente é triste a realidade que vemos hoje.
Acredito que a igreja enquanto instituicao, se nao retomar as bases de onde saiu, tenderá a cada dia mais ser objeto de escárnio por parte da maioria das pessoas.

Penso que, se é pra ser empresa, que seja direito, que pague os impostos, que faça propaganda, faça marketing, agora, esconder detrás de uma ideologia religiosa no intuito de vincular suas práticas a ordens ontológicas, metafisicas aí realmente nao dá.

Seria a mesma coisa que se o mc donalds disesse que o Big Mac custar 16 reais é uma ordem divina, ou dizer que o dono do mc donalds ora a deus antes de dar o preco ao big mac.

A analogia pode parecer estranha, ou inusitada, e até parecer falácia, mas no meio do "evangelho fast food" que vivemos hoje em dia, o que vemos em várias igrejas evangélicas é uma palhacada desse tipo.

O pastor (dono da franquia) toma uma decisao arbitrária, remete esta decisao a uma "ordem divina" ou "fruto de oracao" e a partir daí a coisa continua. Este remeter a uma ordem divina legitima a prática arbitrária.

Se você for ao "procon" e tentar fazer a queixa contra a arbitrariedade, o pastor (dono da franquia) vai remeter a ordem a algo metafísico, e como o ônus da prova tem que recair sobre o acusador, como que ficam as coisas? Afinal, o membro na maioria das vezes não passa daquele que simplesmente se alimenta do fast food.

Resta confiar nas palavras do cristo que afirma que pelos frutos conheceremos a árvore e esperar que o machado que já está ao pé da figueira corte tudo aquilo que é ostentação.

Mas penso que não devemos apenas esperar que a justiça seja feita como algo divino, mas nós enquanto pessoas preocupadas com este caminhar das coisas, devemos nos colocar contra tal prática e exigir que isto acabe.

Penso que o primeiro passo para isso é se importar. Enquanto não nos importarmos com isso, nada faremos para melhorar. Depois disso devemos conhecer o que queremos, conhecer o texto bíblico para que possamos ver o quão distante se está da proposta do reino, e depois disso devemos agir no intuito de mudar efetivamente esta realidade. Enquanto estes 3 passos não forem dados, penso que o caminho será de mal a pior, e as franquias continuarão a abrir.

Em cada esquina com uma promoção diferente.